
Todo mundo sabe que meus ídolos no automobilismo são Ayrton Senna e Jenson Button. O que estes caras fizeram em suas respectivas carreiras é o que me inspira a correr para vencer. Mas neste domingo, a maior motivação foi outra. E o melhor de tudo foi ver toda – e repito, T-O-D-A – a galera da F46 na mini-reta de chegada torcendo independente da bandeira das equipes. É por isso que a F46 faz sucesso no kartismo indoor carioca.
"Sonhar com o impossível é o primeiro passo para torná-lo possível." (Confúcio)
Desde o primeiro treino eu já sonhava com a vitória, já imaginava como seria, o que ia acontecer, como ia reagir a isso, mas sabia que não seria fácil assim. Karts com muita diferença entre eles, Kid Biel em um grande momento – venceu quatro etapas seguidas – e outros favoritos como Leandro Trocado, que já venceu aqui no primeiro semestre, além de Batatinha, que também treinou bem. Então, era uma parada difícil.
Depois de muitos treinos durante o mês, veio o domingo tão esperado. Cheguei ao Extra e após cumprimentar todos os que já haviam chegado ali, achei que seria uma boa ideia relaxar com algumas músicas em minha playlist no iPhone como "Eye of the Tiger", "Rock and Roll All Night", e "For Those About To Rock" para não ficar pensando muito e nem muito ansioso na hora de entrar na pista.
Mas não teve jeito de evitar. Alguns pilotos passavam pra afirmar sua torcida por minha derradeira vitória e cravar meu nome no topo do pódio, ao que eu respondia "Pô, mas muito treino não é garantia de vitória, ainda depende do sorteio dos karts!"
E então a sorte estava ao meu lado. Me atrasei para o briefing, e ao chegar lá, algum ser misterioso sorteou o kart no meu lugar. E quis o destino que eu pegasse o kart mais bala do local, o 14. Mas fui alertado por outros pilotos que eu deveria frear mais cedo pois o freio não estava muito bom nele. Fiquei mais confiante de ter pego este kart, e também tranquilo, pois frear cedo já fazia parte do meu estilo de guiar mesmo. Mal sabia eu que haveria outros problemas na pista.
Assim que começou o qualifying, tratei de colocar a cabeça no lugar e não me preocupar com o tempo dos outros e nem com o meu; apenas acelerar. Percebi que não conseguiria abrir uma boa volta com tanto tráfego na frente, então reduzi quase parando para abrir espaço para colocar a minha melhor volta possível. Após alguns pequenos tropeços, funcionou, e garanti a minha primeira pole-position na F46. Em 27 segundos, 040.
Ao alinhar para o grid, olhei para o lado. Não quis nem saber quem largaria aonde, para não ficar pensando muito nisso. A animação continuava solta na "arquibancada", mas pensei: "Preciso me concentrar nas luzes da largada!!!" e não tirei o olho de lá até pintar o verde.
Vermelho, verde, partiu! Fui embora sozinho na frente. Em um determinado momento da prova, Leandro Trocado e Gabriel Martins se enrolaram e o famoso Kid Biel levou a pior, caindo para trás; mas lembrem-se, só fui saber disto ao final da prova. Aquela altura eu estava sozinho em minha própria corrida. Logo, cheguei para colocar volta nos mais lentos, eu não conseguia passá-los pois precisava me preocupar com os freios do meu kart que realmente não estavam muito bons – a cada volta eu precisava frear cada vez mais cedo para os cotovelos finais da pista. Queria evitar me estabacar nos pneus em uma freada tardia, e também uma encrenca, pois colocar volta em retardatários é complicado ali. Mas foi tudo super tranquilo.
Olhava para o placar de vez em quando, ansioso. 14 voltas completadas, 20 voltas completadas, 27 voltas completadas e eu só pensava: "Isso não acaba nunca, meu Deus?". A cinco voltas do final, ficou mais complicado frear em toda a pista, eu precisava ficar freando cada vez mais. Percebi que era hora de parar de acelerar muito e administrar a vantagem.
E a vitória veio, após 34 voltas. Não foi nada exatamente como eu havia sonhado, mas foi algo muito especial – e algo que jamais esquecerei. Antes da última curva, já estava a socar o ar, olhei para a "arquibancada" e vi a galera. Nossa, merecia uma foto essa imagem, se a mente humana pudesse imprimi-la depois. E onde estava o Trocado? Ele ainda garantiria o segundo lugar ao final da prova, e também uma dobradinha da Black & White no pódio. Mais perfeito, impossível!
Na volta de desaceleração, pensei em celebrar e procurar a bandeira preta-e-branca de advertência de algum fiscal, que eram as cores da B&W, mas a ficha ainda não havia caído – e até agora ainda não caiu. Estava incrédulo – queria fazer de tudo, sei lá queria chorar, rir, gritar, xingar, mas não consegui fazer nada disso, estava travado. Ao estacionar, percebi porque os caras gostam de vencer. Todos passaram pra cumprimentar, me jogar no ar, e fui carregado até o pódio inclusive! I-NES-QUE-CÍ-VEL!
Muito obrigado a todos por este dia, é um prazer correr com este grupo sensacional, todos os meus objetivos na F46 este ano um a um foram atingidos, pontuar bem, chegar ao pódio, e vencer. Mas agora é pensar na próxima etapa, porque assim como todos, eu quero mais e posso mais!