
O décimo quinto aniversário da morte de Ayrton Senna está chegando e eu senti que tinha de escrever algo…
Mas o quê? Bom, nada poderia descrevê-lo melhor do que o hino de seu time favorito. (Mas fique sabendo que não sou corinthiano, sou vascaÃno
)
“Salve o Corinthians, o campeão dos campeões,
eternamente dentro dos nossos corações
Salve o Corinthians, de tradições e glórias mil,
tu és o orgulho dos desportistas do Brasil”
Eu cresci assistindo as corridas de Senna. E eu ainda assisto. A primeira vez que o vi foi naquela Lotus-Honda amarela, ganhando em Detroit de forma dominante. O ano seguinte foi como um sonho, ou como assistir a uma fênix nascendo das cinzas. Ayrton consagrou-se Campeão Mundial em 1988, após o que muitas pessoas consideraram uma batalha perdida, quando o seu motor morreu na largada em Suzuka, mas de alguma forma ele conseguiu dar a partida.
Brasileiros estavam acordados na TV, esperando pelo seu triunfo e quando nós vimos aquilo, muitos foram dormir, pensando que já estava perdido. Eu ainda estava assistindo e torcendo para que ele conseguisse; ao fim da primeira volta, ele já tinha recuperado seis posições. Três voltas depois, já era quarto, e eu não podia acreditar no que via! A chuva chegou, graças a Deus, e Senna pôde demolir a vantagem que Prost tinha, assumiu a liderança, ganhou a corrida, o campeonato e ainda quebrou o recorde da volta mais rápida para celebrar o triunfo.
Enquanto isso, na última volta, os mesmos brasileiros que tinham decidido ir dormir estavam acordados novamente para ver o milagre.
1989 foi outro ano competitivo, mas Ballestre (Presidente da FIA) arruinou-o, e muito do que aconteceu novamente em 1990 foi culpa de Ballestre, e Senna foi novamente coroado Bi-Campeão Mundial em 1990 após tirar Prost da prova em Suzuka por vingança.
Os anos seguintes só mostraram o talento e o gênio de Senna melhorando mais e mais; Senna foi coroado Tri-Campeão Mundial em 1991 após bater a máquina mais forte do grid, a Williams-Renault de Nigel Mansell.
Ayrton então, era como uma garrafa de vinho, ficando melhor com o tempo. Duas vitórias no Brasil sob condições extremas mostraram o quão guerreiro ele era, nunca pensando em desistir com os problemas que apareciam; mas o melhor de sua carreira ainda estava por vir em 1993.
E isso foi Donnington Park 1993, onde ele humilhou os rivais sob chuva para ganhar o que foi uma corrida chocante. Ayrton partiu em quarto, mas foi espremido por Schumacher e concedeu a posição a Wendlinger. Mas nas curvas seguintes, ele passou um por um – Schumacher, Wendlinger, após a curva Craners, Hill após a curva Coppice e finalmente, o lÃder da prova, Alain Prost na hairpin Melbourne. Ayrton estava então liderando o grupo atrás dele antes do fim da primeira volta – Prost, Hill, Barrichello – entrando na segunda volta e eles não iriam vê-lo novamente até a cerimônia do pódio, com Hill e Prost ao seu lado, embaraçados após testemunhar o que foi a maior prova de domÃnio de um piloto em uma prova na história da Fórmula 1.
E eu? Bom, após a primeira volta, as pessoas ficaram pasmas e eu só disse: “O que foi? Surpreso, eu? Não, eu sabia o quão genial ele é. Não posso ficar surpreso, porque quando o gênio está em ação, eu não posso perder nem 1 segundo de sua pura arte da pilotagem, cada movimento que ele faz, porque ele é uma coisa tão mágica e divertida.”
Agora, após 1994 e a sua trágica partida… nós ainda sentimos saudade. Eu acho, ou pode ser seguro de dizer, que ele foi o último piloto romântico na Fórmula 1. Os pilotos de hoje são uns chorões, corporativos ou apenas robôs. Eles não têm personalidade. Eles ficam reclamando de seus carros, ajustes, pistas e seus rivais. Ahhhh… o quanto eles não reclamariam se tivessem de guiar a McLaren-Ford do Senna? Ou sua Lotus-Renault, até sua Toleman-Hart talvez?
Fernando Alonso é provavelmente algo mais próximo que me lembra de Senna. A paixão, a agressividade, a velocidade, a pilotagem. Fernando tem isso tudo. Eu não estou procurando por um novo Senna; Eu estou procurando por mais pilotos fantásticos na Formula 1.
Mas Ayrton, você vai viver para sempre em nossos corações!